quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Proposta para uma Classificação dos Saberes

Todos conhecem alguma coisa, seja onde moram, alguma pessoa ou rua, caminhar, falar ou andar de bicicleta, ou ainda sabemos que hoje faz um dia de sol. Deste modo, podemos utilizar os termos saber e conhecimento de formas diversas. Dentre esses usos podemos distinguir três tipos de saber ou conhecimento: [1] saber fazer, [2] conhecer por familiaridade e [3] o conhecimento proposicional.
O saber fazer se refere à questões práticas. Saber fazer alguma coisa como andar de bicicleta, cozinhar ou mesmo falar muitas vezes são atividades mecânicas que não exigem grande raciocínio, mas sim precisam ser praticadas para ser aperfeiçoadas.
O conhecimento por familiaridade está relacionado tanto ao aparato sensível (tato, olfato,paladar, audição e visão) quanto ao uso da linguagem. Podemos nos familiarizar com pessoas, coisas e lugares entrando em contato com eles através dos nossos sentidos ou fazendo experiências para apreender elementos que nos façam reconhecê-los posteriormente. O conheimento por familiaridade pode tanto ser conhecido diretamente, através dos sentidos, quanto pela descrição de um objeto através da linguagem. Estas descrições, que podemos chamar de descrições definidas, nos indicam objetos mesmo que não os conheçamos fazendo com quen eles se tornem familiares a nós.
A terceira espécie de conhecimento, a proposicional, é a ue nos interessa para a teoria do conhecimento. Através deste tipo de conhecimento podemos conhecer as coisas através de raciocínios pelo uso de proposições. Deve-se ter em mente que as proposições são acessadas através da linguagem, portanto alguns conhecimentos adquiridos através do uso da linguagem como os do tipo de conhecimento por familiaridade podem se encaixar também neste terceiro grupo, desde que a descrição da coisa a ser conhecida seja feita através de proposições.

Conceito de Conhecimento

Conhecimento é crença verdadeira justificada ou, como expõe Platão, “opinião verdadeira acompanhada de explicação racional”.
Uma crença é uma proposição, isto é, um enunciado ou pensamento que pode ser verdadeiro ou falso. Um conhecimento também é uma crença, logo é composto por proposições. A descrição dos fatos se dá através de proposições, deste modo o conhecimento é proposicional e factual, pois por um lado se dá através das proposições e por outro descreve fatos.
Um enunciado que indica conhecimento tem a seguinte forma:

S sabe que P

Onde S é o sujeito que adquire conhecimento e P é o predicado que descreve uma proposição. Vejamos um exemplo de enunciado que indica conhecimento:

“Sabemos que os times gaúchos foram eliminados das copas que jogavam”

Sujeito oculto (nós)
indicador de conhecimento (que)
Predicado (os times gaúchos foram eliminados das copas que jogaram)

A proposição que explicita uma crença deve ser verdadeira para que seja considerada conhecimento. Mas, por definição, isto não basta para que uma crença seja conhecimento. É preciso que esta crença além de ser verdadeira também possa ser justificada, seja através de experiências, seja através de argumentos.
Podemos dizer que há duas formas de adquirir conhecimento. Ele pode ser adquirido através da empiria, isto é, por meio dos nossos sentidos, ou então racionalmente, através do raciocínio, por meio de argumentos, que como já vimos nas aulas passadas é um processo pelo qual temos um determinado número de premissas que nos leva a determinadas conclusões.
Apresentada desta forma, há três passos que devem ser considerados para transformar uma crença em conhecimento: [1] a crença deve ser uma proposição, [2] é necessário que esta proposição seja necessariamente verdadeira, a mera pretensão de verdade não é admitida e, por fim, [3] esta proposição deve possuir uma justificação ou explicação racional não apenas válida, mas verdadeira. Isto significa que o conhecimento proposicional somente pode ser obtido através de uma argumentação sólida.

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